A colonização portuguesa na América
Em 22 de abril de 1500 uma esquadra portuguesa comandada por Pedro Alvares Cabral chegou
ás
terras que hoje formam o sul do estado da Bahia. No dia seguinte, os
portugueses avistaram um grupo de indígenas na praia e desembarcaram
para estabelecer os primeiros contatos. Alguns fatos ocorridos nesse
primeiro encontro foram narrados em uma carta que o escrivão Pero Vaz de
Caminha enviou ao rei de Portugal.
Os
indígenas com os quais os portugueses estabeleceram os primeiros
contatos eram Tupiniquins. Eles falavam a língua tupi e habitavam o
litoral brasileiro; viviam em aldeias compostas por cinco a dez grandes
habitações organizadas de maneira circular, com um pátio central. As
aldeias podiam ter entre 500 a 3000 habitantes. Além deles, outros povos
indígenas habitavam o litoral brasileiro no século XVI. Cada povo tinha
seus próprios modos de vida, costumes, cultura e tradições.
As primeiras forma de exploração
As feitorias: nos
primeiros anos após a chegada da expedição de Cabral ao território dos
indígenas, os portugueses demonstraram pouco interesse em ocupá-las.
Eles se limitaram a explorar seus recursos naturais, construindo
feitorias em diferentes pontos do litoral.
O pau-brasil: entre
os produtos explorados nas terras indígenas, estavam a pimenta, o
tabaco e também animais como araras e macacos. No entanto, o produto que
despertou maior interesse nos portugueses foi o pau-brasil. A madeira
dessa árvore, de cor avermelhada, era usada na Europa para a extração de
uma tinta para tingir tecidos e tinha um alto valor comercial.
O escambo: desde
que aqui chegaram, os portugueses precisaram da ajuda dos indígenas
para explorar o pau-brasil. Para conseguir a colaboração, os portugueses
começaram a realizar um tipo de comércio baseado em trocas, conhecido
como escambo. Os indígenas cortavam, transportavam e armazenavam as
toras de pau-brasil nas feitorias, deixando-as prontas para serem
embarcadas nos navios. Em troca, eles recebiam objetos e ferramentas que
não conheciam.
A presença de outros europeus
As
riquezas naturais existentes nas terras dos indígenas não interessavam
somente aos portugueses. Outros europeus, entre eles os franceses,
passaram a fragmentar a costa brasileira para explorar principalmente o
pau-brasil. Para tentar garantir a posse das terras brasileiras, os
portugueses deram início à colonização do território.
As capitanias hereditárias
Para
efetivar a colonização do território e fazê-lo gerar riquezas, o
governo português decidiu enviar uma expedição colonizadora. O governo
português começou a implantar no Brasil o sistema de capitanias
hereditárias. Capitanias hereditárias eram grandes lotes doados a
portugueses de posse. Cada donatário (dono de uma porção de terra),
cuidava do seu próprio pedaço de terra. No início, as capitanias que
mais se desenvolveram foram Pernambuco, Porto Seguro, Ilhéus e São
Vicente. Nelas eram cultivadas grandes lavouras de cana-de-açúcar
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Mapa: capitanias hereditárias
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Para trabalhar na produção da cana-de-açúcar, os colonos escravizaram os índios que não gostavam nada de ser escravizados.
Diante
das dificuldades enfrentadas pelos donatários nas capitanias, o rei de
Portugal decidiu aumentar a presença portuguesa na colônia. Com isso, em
1549, foi implantado um governo centralizado no Brasil, chamado
governo-geral. Tomé de Souza (primeiro governador-geral) chegou ao
Brasil acompanhado de funcionários portugueses para auxiliá-lo. Os
principais funcionários eram o capitão-mor, o procurador-mor e o
ouvidor-mor.
Além
desses funcionários, vieram alguns jesuítas que tinham como objetivo
converter os indígenas ao catolicismo. Para catequizar os indígenas, os
jesuítas organizavam missas em todo o continente americano. A Igreja
Católica condenava a escravização destes e, em toda a colônia, os
jesuítas fizeram forte oposição à utilização de indígenas como escravos.
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Índios sendo catequizados
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Longa trajetória: Com
o aumento da produção de cana de açúcar no Brasil, precisava de mais
gente para trabalhar. Alem de escravizar os índios, os portugueses
começaram a comprar pessoas na África e trazê-las para trabalhar como
escravo no Brasil.
Na África: Os
africanos eram capturados em suas aldeias e levados para as feitorias
próximas aos portos de embarque. A compra e o transporte de africanos
para o Brasil eram realizados por traficantes portugueses que negociavam
com os chefes de algumas aldeias africanas, oferecendo produtos como
tecidos, armas e tabaco em troca de escravos.
Nos navios:
a etapa seguinte era a viagem de navio até o Brasil. Para aumentar os
lucros, os traficantes levavam um número excessivo de escravos nos
navios. Alem disso, na maioria dos casos, a água e os alimentos eram
insuficientes. Nessas viagens, que podiam durar meses, as condições eram
terríveis e causavam a morte de muitas pessoas.
Nos mercados: ao
chegar ao Brasil, geralmente os africanos eram levados para um mercado
de escravos. Os escravos ficavam expostos à venda e eram examinados
minuciosamente pelos compradores, que procuravam identificar os mais
fortes e sadios.
Baseado no livro VOntade de saber História de Marco Pellegrini, Adriana Machado Dias e Keila Grinberg.